Como a Dança me encontrou...
Por Denise Nunes


Descobri
o amor pela dança ainda na infância, nos animados bailes de forró pé de serra
que meu pai adorava frequentar na casa de amigos ou mesmo em casa.
Eu
tinha um verdadeiro fascínio pelo balé e também pelo piano. Más numa família
grande, de oito irmãos como a minha, isso era apenas um sonho.
Vi
passar a era do jazz na minha adolescência, e quando já adulta com meus 20 anos
frequentei o meu primeiro curso de dança, que era dança de salão. Nossos pares
eram as amigas, pois não havia nenhum cavalheiro, além do professor, para
colaborar, mas lá estávamos nós, felizes em aprender e passar horas maravilhosas
de descontração e suor. Pasmem: dançar queima todas as calorias.
A
partir dali, descobri que dançar combinava comigo e eu gostava de todos os
ritmos. Não era mais um ser perdido sem ritmo nos embalos de sábado à noite.
Saber dançar aumenta muito a nossa interação nos eventos. Frequentei esse curso
por cerca de um ano.
Mas
a realização de me sentir uma verdadeira bailarina foi anos mais tarde, lá
pelos meus 28 anos, quando passando em frente a um Studio de dança vi um anúncio
de bolsas de estudo para diversos ritmos.
O
que me chamou a atenção naquele anúncio foi um ritmo especifico.
Certa vez na infância vi na cena de um filme
uma bailarina dançando com um longo vestido colorido e tocando um instrumento
de percussão, com um toque rápido e contagiante, que era impossível não se
encantar. Aquela cena ficou gravada em minha mente, pois sequer sei o nome do
filme.
E,
de repente, eu via a possibilidade de dançar um ritmo que não exigia que eu
tivesse balé em minha formação de dança e não precisava ser muito jovem pra
aprender: o flamenco.
E
lá fui eu, sem me preocupar com mais nada a não ser garantir uma vaga.
A
partir da minha primeira aula foram praticamente 10 anos de aprendizagem.
Foram
anos de dedicação a uma paixão, onde tive a oportunidade de participar de diversos
festivais, jantares temáticos e outros eventos.
Eu
me apaixonei por tudo, desde os figurinos até os acessórios, que são
maravilhosos e muito sensuais.
O
flamenco possui origem cigana, com influências dos mouros, árabes e judeus.
Sempre nos remete à lembrança das castanholas, mas elas são apenas um dos
acompanhamentos, temos também os violinos, as palmas, os sapateados, o cajón,
outro instrumento de percussão, e muitos acessórios maravilhosos, como os Pericóns
(leques), e etc.
Quando
pisei num palco pela primeira vez a sensação foi de pânico, tremor intenso e
uma imensa vontade de correr para traz das coxias (que até então em nem sabia o
que eram) e me esconder, achando que eu tinha perdido o juízo. Tinha a nítida sensação de que não chegaria ao
final da coreografia, que me daria um branco total de memória.... mas, felizmente,
isso nunca aconteceu, exceto alguns improvisos...
Depois
que passa o medo inicial a sensação é inexplicável, a dança flui e tudo o que
queremos é continuar.
Cada
apresentação, cada coreografia com seus diversos graus de dificuldade me
mostraram o que é superação, aprendi coisas que jamais sonhara fazer, pois
comecei a dançar muito tarde.
Hoje,
acho que o balé é fundamental para quem vai aprender a dançar, pois a falta
dessa base me dificultou a ter movimentos mais perfeitos. Ter linhas de braços
e consciência corporal faz muita diferença.
Ainda
está nos meus projetos começar as aulas de balé...já que tirei férias
temporárias do flamenco. Felizmente hoje há grupos de balé para adultos.
Muitas
pessoas me perguntavam se era muito difícil.
E
eu sempre respondia que não, mesmo sabendo de todas as minhas dificuldades,
porque quando gostamos não percebemos a dificuldade. Claro que sempre tinha uma
dorzinha aqui, outra acolá, mas todas valeram a pena.
Se
vale um conselho: Podemos sim aprender a dançar qualquer estilo sem limite de
idade. Claro que adaptado às nossas limitações.
Dançar
faz bem pro corpo e pra alma e melhora muito a coordenação motora.
A
dança foi o meu melhor terapeuta, e me fortaleceu e ensinou a ser mais segura,
pois eu era extremamente tímida. Ela me ajudou a vencer grandes desafios.
Dançar
exige disciplina, perseverança e muita dedicação. Mas quem dança é mais feliz.
Dançar
me proporcionou também fazer novos amigos, pessoas que ficarão eternamente no
meu coração.
Sou
eternamente grata às pessoas que participaram dessa experiência tão maravilhosa,
às que me ensinaram, e que farão parte das minhas recordações carinhosas.
(Imagens: Freepik.com e Arquivo Pessoal)



Comentários
Postar um comentário